O CORPO E O CONHECIMENTO DE SI NA FILOSOFIA DE ARTHUR SCHOPENHAUER

Karla Samara dos Santos Sousa

Resumo


O presente ensaio pretende analisar a noção de corpo no pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, especialmente a partir de suas reflexões sobre a metafísica da Vontade e epistemologia, basilares para a leitura do que podemos denominar conhecimento de si em sua doutrina. Dentre os pontos elencados encontram-se a concepção de que o corpo pode ser visto, ao mesmo tempo, de dois modos distintos: como elemento chave para a descoberta do núcleo mais íntimo do homem e, por analogia, de toda a natureza - esse elemento é a Vontade e nela radica-se o sofrimento – e como objeto fenomênico-representativo, semelhante ao que ocorre com os demais fenômenos. No mundo como representação, o sujeito, enquanto fenômeno, é apenas o sujeito cognoscente, aquele que conhece e jamais poderá ser conhecido. No mundo como Vontade, distintamente, o sujeito por meio da intuição do corpo, pode conhecer-se a si mesmo. Conhecer-se enquanto sujeito do querer. Daí a máxima: conheço, mas conheço apenas aquilo que quero. Como o querer é incomensurável e conflituoso, o conhecimento de si mantém o sujeito enredado aos infortúnios da vida, sobretudo ao egoísmo.


Palavras-chave


Corpo. Representação. Vontade. Conhecimento de si.

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