Absoluto literário e absoluto filosófico: sobre a querela entre arte e filosofia em Hegel e no Frühromantik

Guilherme Ferreira

Resumo


 Desde a expulsão dos poetas da república da razão de Platão, as querelas entre arte e filosofia, literatura e filosofia ocuparam na estética e na filosofia da arte – especialmente nas estéticas do Früromantik e do Idealismo alemão – um lugar central no que tange, sobretudo, à relevância e destaque de uma em relação à outra no processo de formação da cultura moderna. Nesse sentido, o presente trabalho pretende investigar em que medida o absoluto literário do Früromantik (especialmente em Schlegel) e o Absoluto filosófico de Hegel encontram-se em necessária oposição um ao outro. Enquanto herdeiro do Früromantik teria Hegel, a exemplo de Platão, colocado a arte no porão da embarcação moderna ao decretar o seu “vaticínio”? Seriam arte e filosofia expressões interdependentes, ou absolutos frágeis à unidade sistemática? Dentre outras coisas, queremos defender neste trabalho que a estética de Hegel aponta muito mais para uma relação de interdependência entre arte e filosofia do que a supressão de uma pela outra. Nesse sentido, a relação entre o absoluto literário de Schlegel e o absoluto filosófico de Hegel parece muito mais amigável do que costuma se constatar.


Texto completo:

PDF

Referências


HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Vorlessungen über die Ästhetik I, II und, III (Band 13, 14 und 15). In: ______. Werke in 20 Bänden. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1986.

______. Cursos de Estética - Vol. I, II, III e IV. Trad. Marco Aurélio Werle e Oliver Tolle. São Paulo: EDUSP, 2000.

CECCHINATO, G. Traição e re-memoração. Reflexões sobre a experiência estética com base na Fenomenologia do espírito. Revista Discurso, São Paulo, n.42, 2012. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/discurso/issue/view/5518. Acesso em 08 Jul. 2017.

DUARTE, Pedro. Estio do tempo: romantismo e estética moderna. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

SCHEEL, Márcio. Poética do romantismo: Novalis e o fragmento literário. São Paulo: Unesp, 2010.

PLATÃO. A República. Trad. Henrico Corvisieri. Belém: UFPA, 2002.

SCHLEGEL, F. Athenäums-Fragmente: und andere Schriften. Stuttgart: Reclam, 2005.

______. O dialeto dos fragmentos. Trad. Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1997.

______. Conversa sobre a poesia e outros fragmentos. Tradução e notas Constantino Luz de Medeiros/Marcio Suzuki. São Paulo: Unesp, 2016.

SZONDI, Peter. Poetik und Geschichtsphilosophie I. Studienausgabe der Vorlesungen Band 2. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1974.

ŽIŽEK, Slavoj; GABRIEL. M. Mitologia, loucura e riso: a subjetividade no idealismo alemão. Trad. Silvia P. V. Rocha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.