Do voo da poesia à fixidez do pensamento: a alma e o poeta entre a metafísica renascentista e a reforma da ciência

Thiago Gonçalves Souza

Resumo


Neste artigo, pretendemos acompanhar um momento de transformação da compreensão sobre o fazer poético, dado em correlação com o embate de arranjos metafísicos e epistemológicos que pretendem fornecer uma determinada imagem do mundo e da natureza da alma. Nesse sentido, observaremos como, no Renascimento, se engendra uma “ontologia mágica” e uma metafísica neoplatônica fundamentais para o entendimento da atividade da alma como copula mundi e, em decorrência, do poeta como Deus in terris; a partir disso, veremos como a proposta de um outro quadro ontológico, metafísico e epistemológico acarreta uma profunda crítica e censura das faculdades da alma anteriormente avalizadas enquanto potência espiritual criativa. Para isso, percorreremos a Teologia platônica de Marsílio Ficino e as poéticas de Girolamo Vida e de Julius Caesar Scaliger, cujas proposições serão contrapostas às Meditações metafísicas de René Descartes e à Arte Poética de Nicolas Boileau-Despréaux.

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