A Abordagem Epistemológica à Argumentação em Discussão

Rodrigo Freitas Costa Canal

Resumo


O objetivo deste trabalho é discutir criticamente o empreendimento denominado de Abordagem Epistemológica a Argumentação (Epistemological Approach to Argumentation). De modo a satisfazer minimamente esse objetivo, o artigo introduz algumas distinções conceituais mínimas para se entender o problema da função e do objetivo da argumentação, cuja a solução é disputada pelas três alternativas principais em seu estudo, abordagens essas que apresentamos na seção a seguir desta. Como a abordagem epistemológica é o nervo deste trabalho, argumenta-se que para se compreender minimamente, mas de forma rigorosa, a natureza de uma abordagem epistemológica, deve-se entender a tese da função epistêmica da argumentação. Por fim, a discussão sobre a abordagem epistemológica é então introduzida, começando com uma discussão da razão pela qual seus defensores estariam justificados em assumir que uma teoria epistemológica da argumentação é superior à suas concorrentes; apresentamos então alguns desafios fornecidos à abordagem epistemológica por parte de seus críticos e algumas das respostas que os defensores da abordagem epistemológica tem dado a estas objeções.

Palavras-chave


Epistemologia da Argumentação; Lógica Informal; Teoria da Argumentação; Abordagem Epistemológica a Argumentação; Função Epistêmica da Argumentação

Texto completo:

PDF

Referências


BATTERSBY M. Critical Thinking as Applied Epistemology: Relocating Critical Thinking in the Philosophical Landscape. Informal Logic, v. 11, n.2, p. 91-100, 1989.

BIRO, J. An argument is an argument is an argument.. IN: International Symposium Argumentation and Philosophy: Different Issues or Productive Tensions? Instituto de Investigaciones Filosóficas, Universidad Autónoma de México, September 2009.

BIRO, J.; SIEGEL, H.. In Defense of the Objective Epistemic Approach to Argumentation. Informal Logic. v.26, n.1, p. 91-101, 2006a.

______. Pragma-dialectic versus epistemic theories of arguing and arguments: Rivals or partners? IN: HOUTLOSSER, P.; VAN REES, A. (eds.). Considering pragma-dialectics: A festschrift for Frans H. van Eemeren on the occasion of his 60th birthday. Mahwah, NJ: Erlbaum, p. 1-10, 2006b.

BIRO, John; SIEGEL, Harvey. Normativity, Argumentation and an Epistemic Theory of Fallacies. In: VAN EEMEREN, F. H.; GROOTENDORST, R.; BLAIR J. A.; WILLARD, C. A., (eds). Argumentation: Across the Lines of Discipline. Dordrecht: Foris, p. 189-199, 1991.

FELDMAN, R. Good Arguments. IN: Schmitt, F. (ed). Socializing Epistemology: The Social Dimensions of Knowledge. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, p. 159-199, 1994.

______. Useful Advice and Good Arguments. Informal Logic, v. 25, n.3, p. 277-287, 2005.

FREEMAN, J B. Premise Acceptability, Deontology, Internalism, Justification. Informal Logic. v. 17, n.2, p. 270-278, 1995.

______. Acceptable Premises: An Epistemic Approach to an Informal Logic Problem. Cambridge: Cambridge University Press. 2005.

GOLDMAN, A. I. Argumentation and Interpersonal Justification. Argumentation. v.11, n. 2, p.155–164, 1997.


______. Argumentation and Social Epistemology. Journal o f Philosophy, v.91, n.1, p.27-49, 1994.

______. Epistemology and Cognition. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1986.

______. Argument has no function. Informal Logic. v. 27n. 1, p. 69-90, 2007.

HABERMAS, Jürgen. The Theory of Communicative Action. Boston: Beacon Press, 1984.

HAMBLIN, C.. Fallacies. London: The Chaucer Press,1979.

______. Praktische Argumentationstheorie. Theoretische Grundlagen, praktische Begründung und Regeln wichtiger Argumentationsarten. Braunschweig: Vieweg, 1990.

______. Structure and function of argumentations: An epistemological approach to determining criteria for the validity and adequacy of argumentations. In: VAN EEMEREN, F. H.; GROOTENDORST, R.; BLAIR, J. A.; WILLARD, C. A. (orgs.). Proceedings of the Second International Conference on Argumentation: International Society for the Study of Argumentation (ISSA) at the University of Amsterdam, June 19-22, 1990. Amsterdam: Sicsat, p. 98-107, 1991.

______. The Epistemological Approach to Argumentation: A Map. Informal Logic, v. 25, n.3, p. 189-212, 2005a.

______. The Epistemological Theory of Argument: How and Why. Informal Logic, v. 25, n. 3, p. 213-243, 2005b.

PINTO, R. Argument, Inference and Dialectic. Dordrecht: Kluwer, 2001.

SANTIBÁÑEZ, C. 2012. Teoría de la Argumentación como Epistemología Aplicada. Cinta moebio, n. 43, p. 24-39. Acessado em: 11 de setembro de 2014. Disponível em: www.moebio.uchile.cl/43/santibanez.html.

SIEGEL, H; BIRO J. Rationality, Reasonableness, and Critical Rationalism: Problems with the Pragma-dialectical View. Argumentation, v.22, n.1, p. 191-203, 2008.

______. Epistemic normativity, argumentation, and fallacies. Argumentation, v.11, n.1, p. 277-292, 1997.

______. The Pragma-Dialectician’s Dilemma: Reply to Garssen and van Laar. Informal Logic. v.30, n.4, p. 457-480, 2010.


SIEGEL, H. Argument Quality and Cultural Difference. Argumentation, v.13, n.2, p.183-201, 1999.

______. Relativism Refuted. Dordrecht, Holland: D. Reidel, 1987.

VAN EEMEREN, F. H.; (et al.). Handbook of Argumentation Theory. Dordrecht: Springer, 2014.

______. A Systematic Theory of Argumentation. The pragma-dialectical approach. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

WEINSTEIN, M. Informal Logic and Applied Epistemology. In: JOHNSON, R.H., and BLAIR, J.A. (orgs.). New Essays in Informal Logic. Windsor, Canada: Informal Logic, 1994.

______. Towards a Research Agenda for Informal Logic and Critical Thinking. Informal Logic, v.12, n.3, 1990.

WEINSTOCK, M. P. Psychological Research and the Epistemological Approach to Argumentation. Informal Logic. v. 26, n. 1, p. 103-120, 2006.

CONEE, Earl. 1998. Normative epistemology. In: The Routledge Encyclopedia of Philosophy Online (REP online). Acessado em: 05 de março de 2016. Disponível em: https://www.rep.routledge.com/articles/normative-epistemology/v-1/.

FUMERTON, Richard. Metaepistemology and skepticism. Rowman & Littlefield Publishers, 1995.

CORNER, Adam; HAHN, Ulrike. Normative theories of argumentation: are some norms better than others? Synthese, 2012. Doi: 10.1007/s11229-012-0211-y.

PINTO, Robert C. Truth and the virtue of arguments. IN: Mohammed, D., & Lewiński, M. (Eds.). Virtues of Argumentation. Proceedings of the 10th International Conference of the Ontario Society for the Study of Argumentation (OSSA), 22-26 May 2013. Windsor, ON: OSSA, p. 1-23.

HOFFMANN, M. H. G. Limits of Truth: Exploring Epistemological Approaches to Argumentation. Informal Logic, v. 25, n.3, 2005, p. 245-260.

HUSS, BRIAN. Useful Argumentation: A Critique of the Epistemological Approach. Informal Logic, v. 25, no.3, 2005, p.261-275.

WALTON, Douglas N. Lógica informal. São Paulo, Martins Fontes, 2006.

MERCIER, H; D. SPERBER. Why do humans reason? Arguments for an argumentative theory. Behavioral and Brain Sciences, 2011, n. 34, p. 57–111.

MURCHO, D. Epistemologia da argumentação. In: _____. Pensar outra vez: filosofia, valor e verdade. Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2006.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.